Disfunções Sexuais

"Perturbação clinicamente significativa na capacidade de uma pessoa responder sexualmente ou de experimentar prazer sexual. Um mesmo indivíduo poderá ter várias disfunções ao mesmo tempo”

Presente em 75-100% das relações sexuais ao longo de pelo menos seis meses.

Avaliar efeitos de medicamentos/fatores estressores e estimulação adequada."

 

                                                                                  (DSM-5, 2013)

 

As disfunções sexuais femininas são classificadas em:

·         Transtorno do interesse/excitação

·         Transtorno do orgasmo feminino

·         Transtorno da dor gênito-pélvica/penetração (Vaginismo e/ou Vulvodínia)

 

Nos últimos anos tenho recebido no consultório muitas mulheres com queixa de vaginismo ou vulvodínia.

Nem toda dor na relação sexual corresponde ao vaginismo ou vulvodínia.

Devemos atentar para causas que podem diminuir a lubrificação vaginal e causar atrofia vulvovaginal, como a menopausa ou o uso de alguns medicamentos.

Infecções vulvares, vaginais, doença inflamatória pélvica, endometriose, retroversão uterina, miomatose, patologias dos anexos (ovários e trompas), aderências pélvicas ou doenças do trato urinário também provocam dor na relação sexual.

 

Vaginismo

O vaginismo que se caracteriza por dor e contrações involuntárias ao redor da vagina tem um impacto negativo na qualidade de vida das mulheres, pois impede a realização de exames ginecológicos e a possibilidade de penetração durante a relação sexual.

O gatilho emocional que desencadeia essa contratura muscular nem sempre é claro, mas a Fisioterapia Pélvica se mostra como um tratamento de solução, pois através de recursos e técnicas específicas possibilitamos o relaxamento dessa musculatura. É muito importante a cura das questões emocionais, mas não podemos deixar de tratar as questões físicas.

O vaginismo pode ser primário ou secundário.  O primário acontece quando a mulher nunca conseguiu ter uma relação sexual com penetração, já no secundário a mulher conseguia ter sexo normal até que, por algum motivo passou a ter dor e iniciou um ciclo de medo tensão e dor impedindo a penetração.

A cura do vaginismo vai muito além da possibilidade de uma penetração e mostra, dentre tantos, os seguintes benefícios:

·         Resgate do feminino e auto-estima,

·         Possibilidade de viver relacionamentos sem sofrimento pelo medo de sentir dor,

·         Receber cuidados ginecológicos,

·         Possibilidade de gravidez e

·         Liberdade para fazer escolhas baseadas no amor e não no medo ou dor.

 

 

Vulvodínia

A vulvodínia é uma dor crônica na vulva de causa desconhecida. Essa dor ou ardor ou sensação de queimação pode ser espontânea (a mulher sente constantemente esse incômodo), provocada (a dor é sentida durante a relação sexual, exame ginecológico, uso de roupas apertadas dentre outros fatores desencadeantes) ou mista.

Pode ser também localizada (pontos específicos que doem mais) ou generalizada.

Não existe uma causa definida, mas alguns fatores pioram a dor/ ardor e queimação.

Pede-se para evitar:

·         Uso de roupas apertadas na região da vulva,

·         Sabonetes com propilenoglicol,

·         Alimentos ricos em oxalato de cálcio, temperos industrializados e corantes,

·         Pressão na região da vulva como ficar muito tempo sentado ou andar de bicicleta.

 

O tratamento é multidisciplinar com:

·         Ginecologista especialista em patologia vulvar para diagnóstico clínico e medicação,

·         Fisioterapeuta Pélvico para recursos físicos e orientações gerais como, por exemplo, o uso de óleo vegetal durante a relação sexual e o uso de roupas íntimas de algodão, brancas, sem corantes.

·         Nutricionista para orientação de dieta pobre em oxalato de cálcio e livre de temperos industrializados/corantes e

·         Psicólogo para controle da ansiedade.